A pedofilia é um problema mundial e, somente no Brasil, aproximadamente, cerca de 17 mil sites em combate a pedofilia disseminam informação quase que diariamente, mas acredite: isso não é o suficiente.

Dados recentes, mostram que mais de 70% dos abusos sexuais contra crianças são cometidos no interior de suas casas e por pessoas próximas. Não alheios a essa triste realidade, estão os locais de culto de dezenas de religiões espalhadas pelo país e pelo mundo, infelizmente entre elas também estão vulneráveis as casas de culto de religiões de matrizes africanas.

Não é necessário muito esforço para buscarmos relatos de algum conhecido que passou por essa triste vivência. Sensíveis a essa realidade o Projeto Matriz Africana, usa suas redes sociais para viabilizar informação, divulgar canais de atendimento e entra com “pé direito” na briga contra pedofilia, dando origem a campanha: “Pedofilia não é coisa de axé”. 

“A cada 24 horas, cerca de 320 crianças são abusadas no Brasil. Trazer a discussão a premissa de que a pedofilia é um perigo que caminha silenciosamente entre todos nós e poder mobilizar os povos de axé em combate a estas questões, é muito importante. Não conhecemos (ainda), nossa força e poder de mobilização. Campanhas como estas nos fazem células ativas na mudança por um mundo melhor”. Pontuam os idealizadores do movimento.

Os dados oficiais são alarmantes. Cerca de 67,7% das crianças e jovens que sofrem abuso e exploração sexuais são meninas. Os meninos representam 16,52% das vítimas. Os casos em que o sexo da criança não foi informado totalizaram 15,79%. Os dados sobre faixa etária mostram que 40% dos casos eram referentes a crianças de 0 a 11 anos. As faixas etárias de 12 a 14 anos e de 15 a 17 anos correspondem, respectivamente, a 30,3% e 20,09% das denúncias. Já o perfil do agressor aponta homens (62,5%) e adultos de 18 a 40 anos (42%) como principais autores dos casos denunciados.

A Sociedade Brasileira de Psicologia pontua em dezenas de artigos que o abuso gera traumas devastadores: 

Segundo informações da Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP), a violência sexual é a violação dos direitos sexuais, isso pode ocorrer no sentido de abusar ou explorar o corpo e a sexualidade de menores. No Brasil, até mesmo por falta de informação, grande parte das pessoas associam violência sexual ao ato de penetração forçado, quando, a violência sexual infantil é muito mais ampla e gera traumas devastadores em qualquer uma de suas manifestações.

Fearful shadows scaring a child.

Como identificar os Sinais de abuso sexual infantil:

Ainda segundo a Sociedade Brasileira de Psicologia -SBP, a criança não entende que está sofrendo violência, não sabe como agir ou reagir. É fundamental que pais e professores fiquem atentos à linguagem não-verbal de pedidos de ajuda ou sinalizações de trauma, normalmente expressos em comportamentos, produções gráficas ou produções lúdicas. É preciso atenção dobrada:

  1.  Houverem perturbações no sono; 
  2. Aumento ou diminuição do apetite; 
  3. Desempenho na escola tiver uma queda; 
  4. Mudanças de comportamento bruscas e repentinas. 

Como se proteger?

A prevenção tem um valor fundamental e começa a estabelecer uma base de proteção e confiança entre a criança e os pais. É comum nas denúncias, percebermos casos de agressores sexuais que tendem a buscar um perfil de crianças que sofram de baixa autoestima e insegurança, por serem alvos fáceis, sujeitos a manipulação. Quando a criança possui uma boa relação com os pais, o elo diminui a chance de ser vista como vulnerável.

1 – Compartilhe informações sobre o próprio corpo com linguagem acessível, alerte a criança de que ninguém, nem mesmo pessoas próximas, pertencentes ao seu grupo familiar, possuem liberdade para acariciar suas partes íntimas. Incentive sempre a comunicação isso ocorra.

2 – Desfaça temores que o agressor possa construir na tentativa de manipular a criança, assegure que você e a criança vivem num ambiente seguro, amparado por seu ciclo familiar e de amigos e que ninguém pode representar uma ameaça a integridade física de vocês facilmente. Faça a criança saber que você não a deixará, que não sentirá raiva e que sempre estará aberta para dúvidas ou esclarecimentos. Fortaleça o elo de confiança que vocês tem. 

3 – Seu filho é seu bem maior. Seja seletivo com as pessoas que participam da vida deles, principalmente quando se diz respeito à intimidade, aos detalhes da vida de vocês.  Avalie cuidadosamente e escolha quem pode ter liberdade para entrar no quarto ou acompanhar a troca de roupas, um banho e qualquer tipo de atividade mais íntima com a criança.

4 – Acredite em seu filho sempre que trouxer alguma questão, ao invés de descartar imediatamente o relato. Converse, investigue e questione. Pense e pontue seus relatos com seu filho. 

Denuncie!

Disque 100

Disque Direitos Humanos, ou Disque 100, é um serviço de proteção de crianças e adolescentes com foco em violência sexual, vinculado ao Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, da SPDCA/SDH. Ele está disponível em todo o Brasil.

Polícia Militar: 190

O 190 é um número de telefone de emergência da polícia que funciona no Brasil todo. As companhias telefônicas direcionam as ligações após verificar onde o telefone que fez a chamada está registrado e o serviço é disponível em 24h.

Punição legal:

No dia 8 de maio de 2017, o Governo brasileiro sancionou duas novas legislações relacionadas ao tema: a Lei nº 13.440 /2017, que estipula pena obrigatória de perda de bens e valores em razão da prática dos crimes tipificados, como prostituição ou exploração sexual; e a Lei nº 13.441/2017, que prevê a infiltração de agentes de polícia na internet com o fim de investigar crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes. Também foi sancionada, em abril do ano passado, a Lei nº 13.431/2017, que estabelece a escuta especializada e o depoimento especial para crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência.

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Matriz Africana

Movimento político de união e acolhimento "Matriz Africana", que visa agregar, unir, acolher, conectar e informar a todos os adeptos de religiões de Matriz Africana de forma que se possa empoderar, garantir direitos e proteger a liberdade de culto e os povos de axé. Aqui se troca conhecimento, informação e apoio.