Polícia Militar do Rio reforçou a segurança em prédios da comunidade judaica espalhados por 13 bairros da cidade. Um documento interno da corporação obtido pelo jornal EXTRA revela que o aumento do policiamento foi uma consequência do ataque aéreo americano no Iraque, que terminou com a morte do general iraniano Qassem Soleimani na madrugada do último dia 2: o texto cita a “intenção de vingança do Irã e o receio da comunidade judaica residente no Rio de Janeiro, devido a concentração de público nas sinagogas”.

Após o ataque, líderes iranianos prometeram vingar a morte do comandante, o segundo homem mais importante do país depois de seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Funcionários do alto escalão do país afirmaram que o Irã pode retaliar com ataques à Israel.

O documento é uma mensagem assinada pelo coronel Sérgio do Carmo Schalioni, chefe do 1º Comando de Policiamento de Área (CPA), unidade responsável pelos batalhões do Centro, da Zona Sul e de parte da Zona Norte, e é endereçada a seus subordinados. Schalioni determina, no texto, o “reforço do policiamento ostensivo, até ordem contrária, a fim de manter preservada a ordem pública e a segurança dos cidadãos, com vistas as Entidades Judaicas e Sinagogas constantes nas prescrições diversas, em especial das 18h das sextas-feiras e 8h dos sábados”. 

Ao todo, o documento cita 29 prédios espalhados pela cidade. Além de sinagogas, são enumerados clubes, escolas, centros culturais e até cemitérios da comunidade judaica no Rio. A maior parte das edificações se concentra nos bairros de Copacabana, na Zona Sul, e Tijuca, na Zona Norte.

Medida foi pedido de federação israelita

O reforço no policiamento é fruto de um pedido feito pela Federação Israelita do Rio à PM. De acordo com o presidente da instituição, Arnon Velmovitsky, a comunidade judaica na cidade ficou receosa com a repercussão do ataque no Oriente Médio.

— Ficamos satisfeitos com a resposta, porque o receio da comunidade é muito grande. Pedimos uma atenção maior nas sinagogas nos horários das nossas orações, entre sexta à noite e sábado de manhã — afirmou Velmovitsky.

A medida, entretanto, foi criticada por líderes de outros segmentos religiosos, como o Candomblé, que cobraram mais atenção às reivindicações dos representantes de religiões de matriz africana.

— É perfeitamente correto por parte da comunidade judaica solicitar a proteção do Estado, para seus espaços coletivos, uma vez que se sentem ameaçados. Entretanto, precisamos enfatizar que por outro lado o Estado não tem dado as mesmas garantias de proteção e liberdades a outros grupos religiosos — afirmou o babalorixá Ivanir dos Santos.

Fonte: Jornal Extra

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Matriz Africana

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