Por Flávio Duncan

O Movimento da terceira onda de renovação do petencostalismo se prolifera no Brasil tentando impugnar seus preceitos e crenças. Não muito distante da grande maioria da população, era comum observarmos a prática da pregação religiosa, tentando angariar adeptos as mais diferentes igrejas, falando sobre a palavra de Deus e pregações Bíblicas. O problema é quando esse tipo de manifestação começa a ultrapassar limites de respeito a crença alheia tentando impugnar sua fé a não adeptos e proibir o exercício de outros ritos religiosos.

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No Brasil a expansão do neopentecostalismo (vertente do evangelicalismo e conglomerado de igrejas do novo movimento cristão) ocorre não apenas pela busca forçada de adeptos com uma espécie de catequese ativa de não praticantes, mas também através de meios de comunicação de massa, como rádio, jornais e TV. Isso acaba tomando maior corpo, quando observamos a atuação ferrenha em espaços sociais, como os presídios por exemplo.

Confusão de Serviço Social x Caridade:

Culturalmente, as políticas de atenção social eram confundidas no Brasil com práticas de caridade realizadas por igrejas, o que possibilitou com que houvesse uma brecha na assimilação do trabalho de caridade oferecido por instituições religiosas com ressocialização. O serviço Social é uma profissão interventiva, reconhecida formalmente e tem o objetivo de diminuir disparidades sociais através de pesquisas, políticas públicas, mobilização, preservação e intervenção visando garantia, ampliação de direitos e justiça social. Embora estejam impelidos nessas práticas valores éticos, isso não pode e não deve ser confundido com práticas, preceitos ou dogmas religiosos.

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A atuação das igrejas nos presídios:

Nesse sentido, a confusão entre essas questões ganhou cada vez mais corpo no Brasil, fomentando a ideia de que o Serviço Social e as práticas realizadas por instituições religiosas fossem a mesma coisa e lugar comum onde permeia a caridade. Não é novidade pra ninguém o trabalho de pregação ativa realizado dentro dos presídios durante muitos anos. O fato é que nos faltam políticas públicas de atuação dentro e fora desses locais, com programas de intervenção oportunizando políticas públicas de acesso a questões básicas, como formação, capacitação e dezenas de outros problemas comuns a sociedade brasileira. A marginalização do pobre, do negro e dos mais vulneráveis ocorre há anos sem que isso mobilize a grande maioria das pessoas que acreditam que tudo não passa de um discurso de vitimização. Posição típica de quem nitidamente não possui conhecimento dessas realidades.

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Nesse movimento e com a dificuldade de acesso políticas públicas, os presídios se tornam atrativos as igrejas, com uma verdadeira legião de grupos evangélicos que além de enxergarem grande possibilidade de evangelização, viam oportunidade de “salvar as almas”, que em sua visão, só haviam cometido delitos por influência do “inimigo”, utilizando o “demônio”, como “bengala emocional” e absolvição de condutas.

A conversão de “ex-traficantes”:

Isso atrelado ao crescimento acelerado do neopentecostalismo, sobretudo em áreas periféricas das metrópoles passam a condensar a fórmula perfeita para atuação proselitista, que inclusive, passam a receber todo tipo de ex-praticantes dos mais variados delitos em suas igrejas, salvos pelo tão renomado exercício da fé evangélica. Não é novidade pra ninguém a presença declarada de traficantes “convertidos” nessas instituições que lhes oferecem perdão, acolhimento, acobertamento e proteção. Afinal, Deus tudo perdoa quando advindo de quem se “arrepende”.

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Passam a culpar terreiros de Axé:

Nesse sentido, instituições ligadas ao terceiro setor já apontam durante muitos anos pesquisas que identificam indicadores da presença de igrejas em “bolsões” dentro dos centros urbanos, com grande atuação do tráfico. A “conversão” dos recém batizados: “bandidos de Jesus”, que em grande maioria tinham proximidade com religiões de Matriz Africana, desta vez adotam discurso de que a culpa para suas práticas ilícitas, não é apenas do “demônio” ou do “inimigo”, mas também dos terreiros de axé, onde se cultuam Deuses e entidades de origem de Matrizes Africanas.

A perseguição religiosa promovida pelos neopetencostais em relação as religiões de Matriz Africana, agregadas aos discursos de preconceito ódio e justificativa para esses delitos, resulta num grande e desenfreado movimento de violência e intolerância religiosa. Isso atrelado a visão positiva por parte dos moradores desses locais que gozam de certo prestígio e hegemonia social dentro dessas igrejas, onde a moeda de troca é a proteção e manutenção financeira de uma vida “próspera e abençoada” aos olhos de seu Deus, dá início a um movimento de perseguição religiosa que figura como uma verdadeira guerra santa dentro dos centros urbanos espalhados pelo Brasil. Em especial em metrópoles como o Rio de Janeiro.

Organizações Evangélicas na política e vida pública:

Alinhado a esse contexto, bancadas evangélicas, governantes e candidatos a cargos eletivos que declaradamente perseguem e tem falta de vontade política para intervir coibindo essas ações, parecem dar cada vez mais incentivo para a perseguição religiosa. Organizando-se como um verdadeiro exército político, apoiado e votado por fiéis em igrejas evangélicas que se alinham de forma eleger seus representantes, não é incomum observarmos centenas de pastores e obreiros dedicando-se a vida política, confundindo o exercício da vida pública, com atendimento voltado a toda população, legislando e beneficiando apenas os grupos religiosos e igrejas para os quais representam.

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A importância de Movimentos como Matriz Africana:

Dentro desse movimento cíclico que parece não ter fim, movimentos de resistência e representatividade, como o Matriz Africana são de extrema importância, porque possibilitam a conexão, o empoderamento e o oferecimento de informação aos povos de axé, fomentando a garantia de direitos e acesso a políticas públicas que possam enfraquecer esse ciclo de perseguição, ilicitude e injustiça social.

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Matriz Africana

Movimento político de união e acolhimento "Matriz Africana", que visa agregar, unir, acolher, conectar e informar a todos os adeptos de religiões de Matriz Africana de forma que se possa empoderar, garantir direitos e proteger a liberdade de culto e os povos de axé. Aqui se troca conhecimento, informação e apoio.