O presidente da Associação de Umbanda e Candomblé de São Carlos (SP), Emerson Pereira Belarmino da Silva, o Pai Emerson de Oxalá, negou a relação de objetos encontrados Parque Ecológico com a religião e repudiou o ato. “Eu não quero que a imagem da umbanda e do candomblé fique denegrida por um ato de vândalos”, afirmou.

Uma machadinha e uma lança feitas artesanalmente, tecidos amarrados e um alguidar foram encontrados por funcionários do parque próximos aos recintos onde ficam os animais. A suposta invasão para a realização de rituais com animais está sendo investigada pela Polícia Civil. Nenhum animal ficou ferido.

Pai Emerson de Oxalá diz que objetos encontrados no Parque Ecológico não tem relação com a umbanda, nem com o candomblé.  — Foto: Marlon Tavoni/EPTV
Pai Emerson de Oxalá diz que objetos encontrados no Parque Ecológico não tem relação com a umbanda, nem com o candomblé. — Foto: Marlon Tavoni/EPTV

“A gente repudia totalmente invadir um recinto particular, matar animais, isso é contra a nossa lei da umbanda, a nossa lei maior. Nós temos certeza de que não foi indicação de nenhum sacerdote de umbanda ou de candomblé para que a pessoa fosse ao Parque Ecológico, rompesse a cerca e matasse um animal”, ressaltou.

Ele explicou que o sacrifício de animais não existe na umbanda. São feitos no candomblé, mas com frangos ou cabritos.

Temor de perseguição

O sacerdote teme que o caso repercuta negativamente sobre os umbandistas e candomblecistas de São Carlos.

Ele explicou que alguns dos objetos encontrados como cabo de vassoura, pedaços de madeira, machadinhos, caveira e cordas não são utilizados pela umbanda nem pelo candomblé.

“O alguidar nós usamos para colocar oferendas, mas isso não significa que foi alguém de umbanda ou de candomblé. Isso tem mais cara de ser vandalismo do que algo relacionado à religião”, afirmou.

Alguidar estava entre os objetos encontrados no Parque Ecológico de São Carlos. — Foto: Polícia Civil de São Carlos/Divulgação
Alguidar estava entre os objetos encontrados no Parque Ecológico de São Carlos. — Foto: Polícia Civil de São Carlos/Divulgação

“Essa coisa de caveira, de corda para o umbanda não tem nada a ver. Então, eu acredito que foi algum ato de vandalismo para denegrir a imagem da religião ou assustar algum funcionário”, concluiu.

Investigação

A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de São Carlos (SP) quer saber quem colocou os objetos dentro do Parque Ecológico. A suspeita é que rituais com animais seriam realizados no local.

“Foram apreendidos vários objetos que poderiam ferir os animais: uma machadinha, uma lança com uma lâmina pontiaguda. Os tratadores dos animais e os administradores ficaram preocupados com a integridade dos bichos e comunicaram o fato à Guarda Municipal e à polícia”, contou o delegado da DIG, Gilberto de Aquino.

Os objetos foram encontrados durante vários dias a partir de 21 de agosto. Uma tratadora encontrou uma machadinha feita artesanalmente com cabo de madeira amarrado a uma lâmina de pedra, e um bastão de madeira, acoplado a um pedaço de osso, que estava envolto com tinta preta e continha uma caveira de cor vermelha.

Machadinha e lança feitas artesanalmente estão entre os objetos apreendidos pela polícia de São Carlos. Suspeita é que seriam usados em rituais com animais no Parque Ecológico.  — Foto: Polícia Civil de São Carlos
Machadinha e lança feitas artesanalmente estão entre os objetos apreendidos pela polícia de São Carlos. Suspeita é que seriam usados em rituais com animais no Parque Ecológico. — Foto: Polícia Civil de São Carlos

Um dia depois, foram encontrados mais quatro pedaços de madeira, um deles pintado de vermelho e com panos vermelhos amarrados, e um pano preto amarrado com um nó no espaço onde ficam os lobos-guará.

No sábado (24), a tratadora encontrou um pedaço de corda de cor vermelha, com quatro nós, sobre o portão do alambrado do recinto dos cachorros do mato e do lado externo, havia também uma oferenda utilizada em rituais religiosos, com prato de barro, contendo garrafas, palhas e pedaços de pano.

A polícia investiga se o responsável pelos objetos é funcionário do parque. A suspeita surgiu porque a cerca elétrica do local foi desligada.

Objetos usados em rituais foram encontrados do lado de fora de recintos de animais do Parque Ecológico de São Carlos.  — Foto: Polícia Civil de São Carlos/Divulgação
Objetos usados em rituais foram encontrados do lado de fora de recintos de animais do Parque Ecológico de São Carlos. — Foto: Polícia Civil de São Carlos/Divulgação

“Estamos investigando se o invasor veio do lado de fora ou se é funcionário. Não há dúvidas de que essa pessoa conheça o parque porque ela foi até um local que não há circuito de câmeras e desligou a cerca elétrica”, afirmou.

A polícia solicitou a relação dos funcionários e em entendimento com a prefeitura, a Guarda Municipal reforçou a segurança do parque.

Fonte: Portal G1

Written by

Matriz Africana

Movimento político de união e acolhimento "Matriz Africana", que visa agregar, unir, acolher, conectar e informar a todos os adeptos de religiões de Matriz Africana de forma que se possa empoderar, garantir direitos e proteger a liberdade de culto e os povos de axé. Aqui se troca conhecimento, informação e apoio.