Com um século de vida (muito bem vivido) completado no dia 21 de junho, Luiz Ângelo da Silva, o ogan Bangbala, já recebeu um sem número de homenagens. Está em livros, reportagens, CDs, filme e tem até uma medalha de Comendador dada pelo Ministério da Cultura. Agora, o mestre está sendo homenageado por uma escola de samba. Ogan vivo mais antigo do Brasil, o baiano de Salvador e que adotou a Baixada Fluminense para viver, há mais de 70 anos, será o enredo da Escola de Samba Unidos do Cabuçu no carnaval de 2020.

— Gosto de carnaval. Em Salvador, era segurador de corda nos blocos. Depois, fui diretor de canto do (bloco do afoxé) Filhos de Gandhi. Aqui no Rio, sou vice-presidente do Gandhi. Já desfilei na Unidos de São Carlos, já fui à festa do Preto Forro. Sou o maior carnavalesco da paróquia — brinca.

Foto: Cléber Júnior / Agência O Globo

Embora já tenha morado em São João de Meriti e viva no bairro Shangrilá Rosa, em Belford Roxo, há mais de 70 anos, a homenagem veio de fora da Baixada. A Unidos do Cabuçu é uma agremiação do bairro Engenho Novo, na Zona Norte do Rio.

— A importância desse enredo é mostrar o respeito à religião e à cultura afro no Brasil. É mostrar a trajetória de um homem simples repleto de sabedoria adquirida com o tempo. A Cabuçu irá exaltar a luta deste sábio que sempre lutou e luta pelo respeito ao próximo. Por isso, ganhou o título de Comendador e tantos outros — destaca o carnavalesco da Unidos do Cabuçu, Lane Santana, que vai desenvolver o enredo “Cabuçu canta pra subir no Centenário de Bangbala”.

A homenagem vinda da Baixada ainda não chegou, mas o ogan não troca a região por nada. Profundo conhecedor do axexê (ritual fúnebre do candomblé), Bangbala é requisitado em muitos terreiros por todo o país. Mas nem pensa em deixar o bairro onde mora:

— Se me derem um apartamento em Copacabana, eu não vou. Nada me incomoda aqui. Vou a todo canto de Belford Roxo, conheço a Baixada toda e ando sozinho. Me dou com todo mundo.

O ogan Bangbala com Maria Moreira. Eles são casados há 17 anos
O ogan Bangbala com Maria Moreira. Eles são casados há 17 anos Foto: Reprodução

Casada com Bangbala há 17 anos, Mãe Maria Moreira, de 55 anos, gostaria de ver o marido ter mais reconhecimento pelas autoridades no próprio município:

— É um Comendador que mora na Baixada, mas nunca foi homenageado aqui. Ele é mais conhecido pelo povo do candomblé. A rua onde moramos podia ser Rua Comendador Luiz Bangbala.

Foto: Cléber Júnior / Agência O Globo

Fazendo jus ao nome que recebeu dentro da religião, Bangbala — que significa “ajude-me a receber riqueza” em yorubá — é rico de conhecimento. Mesmo assim, está sempre querendo aprender. Este ano, fez parte da Primeira Turma de Capelães de Matriz Africana do curso de Ordem dos Capelães do Brasil.

Além disso, dá cursos aos domingos de toque e canto de orixá, e de axexê. Também fabrica xequerés, é convidado para terreiros e para eventos acadêmicos. Até 2020, o carnaval será mais um compromisso a encontrar lugar na requisitada agenda do mestre.

FONTE: JORNAL EXTRA

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