Segundo investigadores, ela induziu idoso a transferir todo seu dinheiro. Wilde de Lima, de 88 anos, foi resgatado de cobertura na Barra com sinais de maus-tratos e desnutrido, segundo a família.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) diz ter descoberto um esquema montado pela mulher de um empresário da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, para roubar toda a fortuna do milionário, usando um terreiro de Matriz Africana para lavar dinheiro.

Segundo os investigadores, Wilde Pinheiro de Lima, de 88 anos, que atuou no ramo de refrigerantes, vinha sendo sedado e induzido a transferir todo o patrimônio, avaliado em R$ 27 milhões, para Wandrea Sobreiro, de 49 anos, com quem era casado, como mostrou reportagem exibida a algum tempo no programa: Fantástico, exibido pela Rede Globo de Televisão.

Apesar das suspeitas, a mulher ainda vive na cobertura do ex-marido, na Praia da Barra, avaliada por corretores em R$ 3,5 milhões. Foi de lá que Wilde foi resgastado pela polícia, após cerca de cinco anos sendo impedido de ter contato com a família. Ele foi encontrado com sinais de maus-tratos e desnutrido.

As transferências bancárias induzidas pela mulher, segundo o PM, eram feitas em formato de doações religiosas a um terreiro de Matriz Africana e aconteciam da seguinte forma:

  • Wandrea descobriu que Wilde tinha uma fortuna guardada no banco;
  • Ela começou a dar medicamentos sedativos para o empresário capazes de causar confusão mental, alinhadas com rituais e auxílio de adeptos do terreiro.
  • Depois de dopar o empresário, Wandrea pedia para ele assinar cheques, que eram usados para transferir dinheiro da conta dele para a conta dela;
  • A prática se repetiu, segundo MP-RJ, durante dois anos;
  • A segunda parte do plano de Wandrea era repassar para cinco pessoas o dinheiro doado ao terreiro.

Doações a ‘Exu’ e ‘Ogum’

Ainda sob investigação sigilosa, um conhecido terreiro de Candomblé também está envolvido. Ao que parece, situado em Vargem Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro o zelador e adeptos da casa, receptavam altas quantias em dinheiro, fazendo parte do esquema, com direito a viagens internacionais, aquisição de automóveis, ostentação de jóias e vida de luxo.

Em paralelo, outra Mãe de santo de um segundo terreiro também envolvido, já fora identificada. Genise Silva recebeu dois depósitos que totalizaram R$ 12 milhões em setembro de 2013. Nos dois documentos, havia a mesma exigência: Genise teria a obrigação de repassar o dinheiro para o terreiro umbandista Rompe Mato. Segundo o MP, era um esquema de lavagem de dinheiro.

“Então, uma das doações, pseudodoações, foi de R$ 12 milhões, sob o argumento que seriam R$ 7 milhões para Exu e R$ 5 milhões para Ogum, segundo consta. E por que ela fez isso? Ela arquitetou essa trama toda porque, se no final esse golpe fosse descoberto pelas autoridades, a percepção pela polícia, pelo Ministério Público, ela se colocaria como lesada, tanto quanto o senhor de idade. Ela seria vítima de um golpe religioso, teria sido ludibriada por uma pseudomãe de santo”, explicou o promotor Cláudio Calo.

O dinheiro do empresário também foi usado para Wandrea comprar imóveis: ela adquiriu dois apartamentos e duas salas comerciais. Os valores dessas transações chegaram a R$ 1,5 milhão.

A família do empresário procurou o Ministério Público. Em 2016, Wandrea foi convocada para prestar depoimento na delegacia. Foi a oportunidade que a família teve para tirar Wilde do apartamento.

“Até que a gente foi com polícia, criminal, com delegado, com tudo. E ele estava todo urinado, imundo, mal nutrido. Uma coisa horrorosa (…) Tiramos ele de casa”, explicou a filha mais velha do empresário.

Resgatado por policiais, o empresário foi morar com a filha do primeiro casamento e sobrevive com uma renda – R$ 10 mil – que sai da conta da mãe de santo Genise.

“Ela transferiu todo o patrimônio dele. Ele não tem absolutamente nada na conta. Um sujeito que tinha seguramente, em 2013, uns R$ 21 milhões na conta. Não tem dinheiro nenhum, e hoje a Justiça autorizou que ele recebesse R$ 10 mil desse dinheiro bloqueado na conta dos investigados nesse processo para que ele pudesse custear minimamente a vida com medicamentos e outras coisas básicas”, explicou o promotor.

Wandrea ficou morando na cobertura, que está no nome da filha que teve com Wilde, mas a família entrou na Justiça com um pedido de investigação de paternidade.

“O total desviado, eu acredito, que esteja estimado em torno de R$ 27 milhões. Na conta do terreiro, R$ 16 milhões. Na conta de outros denunciados, inclusive já tem denunciado que morou na comunidade da Rocinha que teve uma movimentação de R$ 5 milhões”, explicou o promotor.

Desvios começaram após o casamento

O relacionamento de Wilde e Wandrea começou em 2011, após o empresário se separar da mulher com quem ficou casado por 30 anos. Na ocasião, Wilde tinha 80 anos, e Wandrea, 42.

“E fez isso com ele, deixou a família à parte. A gente não podia entrar aí, a gente não podia vê-lo. Aí, a gente ficou um ano e meio, dois anos e ela não deixando a gente ter acesso a ele”, explicou a filha do empresário.

“A coisa foi crescendo, essa dificuldade foi aumentando, até um dado momento em que eles não conseguiam mais encontrar com o pai”, explicou o advogado do empresário, Marcus Crissiuma.

De acordo com o advogado, os filhos do empresário pensaram numa possível interdição e a partir daí se iniciou uma investigação dos órgãos públicos para entender se havia alguma procuração concedida a alguém. Buscavam entender o sumiço de imóveis e tudo o que estava se passando.

FONTE: INTERNET E PORTAL G1

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Matriz Africana

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