O momento que nos leva a reflexão hoje, é pensar no peso que o valor atribuído ao tempo de vivência desde nossa iniciação tem, diante do conhecimento que se absorve dentro das casas de axé.

Vivemos dias em que os iniciados e não iniciados tem sede de conhecimento. As vezes muito maior do que os antigos, com tempo e cargos oferecidos pelas divindades. Não é incomum observarmos “Iyawos” que se dedicam, vivendo como verdadeiros soldados de axé, absorvendo e vivendo tudo que podem em busca de “saber”. Muitos inclusive, contam com clientes e adeptos que os seguem cegamente, desconsiderando tempo e cargos que sequer lhe tenham sido oferecidos.

Em contrapartida, temos sacerdotes que em troca de mão de obra, contam com auxílio dos mais novos, permitindo-lhes aprender e pessoas com mais tempo se eximindo de suas responsabilidades. A modernidade nos trouxe um fenômeno inesperado. Até que ponto se pode desconsiderar o tempo necessário para maturidade espiritual? até quando se pode exercer rituais sem que postos lhe sejam dados e determinados por nossos Deuses? O conhecimento absorvido prematuramente auxilia ou prejudica a preservação de nossas religiões?

Nada contra o aprendizado durante a vivência em nossas casas, no entanto, talvez a modernidade, a ambição e a cegueira em busca pelo conhecimento tenham impedido os “prematuros”, de absorver a mais importante das lições. Tudo aquilo que é feito sem o tempo necessário ou o posto que lhe seja concedido, terá graves consequências diante do destino. Pensemos nisso e até a próxima semana.

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Matriz Africana

Movimento político de união e acolhimento "Matriz Africana", que visa agregar, unir, acolher, conectar e informar a todos os adeptos de religiões de Matriz Africana de forma que se possa empoderar, garantir direitos e proteger a liberdade de culto e os povos de axé. Aqui se troca conhecimento, informação e apoio.